Do desafio à previsibilidade: como a gestão estruturada transformou uma operação no setor de fertilizantes 

Gestão estruturada: um case de transformação operacional

Gestão estruturada se tornou um fator decisivo para operações industriais que precisam reduzir variabilidade, aumentar previsibilidade e sustentar resultados em ambientes complexos. Mais do que aplicar ferramentas isoladas, a estruturação da gestão organiza a rotina, dá clareza ao fluxo e transforma esforço em performance operacional.

Em uma oficina de bombas de um cliente do setor de fertilizantes atendido pela  Make Gestão, a quebra frequente do planejamento, os retrabalhos constantes e a falta de estabilidade operacional já comprometiam produtividade, fluxo e execução da rotina.

Esse cenário começou a mudar a partir da transformação da oficina de bombas por meio de Lean, gestão da rotina, padronização e forte presença em campo.

O case de sucesso foi apresentado no 36º Fórum Nacional de Lean, promovido pelo Grupo Lean, em Belo Horizonte, no dia 14 de maio de 2026. A Make Gestão participou do evento como patrocinadora Diamante. 

Continue a leitura e veja como a combinação entre gestão estruturada, presença operacional e princípios do Sistema Toyota de Produção ajudou a transformar os resultados dessa operação.

Case de sucesso: o cenário da oficina de bombas antes da transformação 

Antes do início do trabalho, a oficina de bombas operava sob forte variabilidade e baixa previsibilidade

Demandas emergenciais quebravam constantemente a grade semanal. Mecânicos consumiam tempo relevante buscando materiais. Bombas retornavam para retrabalho por falhas não resolvidas. A operação também não possuía visibilidade clara sobre o status dos equipamentos dentro da oficina.

O desalinhamento entre planejamento e execução já fazia parte da rotina.

Entre os principais problemas observados estavam:

  • Quebra frequente da programação semanal;
  • Movimentações desnecessárias;
  • Retrabalho recorrente;
  • Ausência de fluxo estável;
  • Gestão baseada em percepção;
  • Baixa integração entre áreas.

O diagnóstico mostrou que os desvios não eram pontuais. A oficina funcionava como um conjunto de esforços individuais, sem um sistema estruturado de gestão capaz de sustentar estabilidade operacional.

Diagnóstico em campo: as causas estruturais da operação

A transformação começou com uma imersão profunda na operação.

A equipe conduziu um diagnóstico estruturado com forte presença em campo, seguindo o princípio do Genchi Genbutsu, que significa ir ao local real para entender o trabalho como ele acontece.

Na prática, essa leitura combinou Gemba Walk, observação estruturada, estratificação de perdas, entrevistas com operação, planejamento e engenharia, além de análise de causa. 

A proposta era construir uma visão real da operação, e não uma leitura baseada apenas em percepções gerenciais.

Durante essa etapa foram realizados:

  • 26 entrevistas com operação, planejamento e engenharia;
  • 197 observações diretas em campo;
  • 141 pontos de atenção documentados;
  • Aproximadamente 90 ações estruturadas em clusters prioritários.

Os principais grupos de problemas identificados estavam ligados a:

  • Planejamento e priorização;
  • Logística de materiais;
  • Capacidade e carga;
  • Qualidade das intervenções;
  • Organização e segurança.

A análise sistêmica revelou planejamento sem critérios claros, falta de padronização, baixa maturidade na análise de falhas e ausência de indicadores confiáveis.

Mapeamento de fluxo: onde estavam as perdas

A equipe realizou o mapeamento completo do fluxo da bomba dentro da oficina por meio do Makigami, ferramenta Lean utilizada para visualizar o fluxo de trabalho e identificar perdas ao longo do processo, desde o recebimento até a liberação. 

O estudo avaliou as etapas de:

  • Recebimento;
  • Desmontagem;
  • Peritagem;
  • Montagem;
  • Liberação.

O trabalho identificou perdas significativas por espera entre etapas, movimentações desnecessárias, retrabalho, falta de sincronização e interrupções constantes no fluxo.

Com base nisso, a oficina iniciou uma reorganização estrutural do ambiente e da rotina operacional.

Gestão visual: tornando a oficina transparente e gerenciável 

A reorganização física da oficina foi tratada como base para estabilidade operacional.

O projeto estruturou áreas visuais com critérios claros:

  • Área vermelha para entrada e recebimento;
  • Área amarela para equipamentos em processo;
  • Área verde para equipamentos liberados.

A operação também passou a utilizar gestão visual e Obeya operacional para centralizar informações críticas da rotina, tornando o status das bombas, o progresso da grade e os desvios visíveis para a equipe e gestores. 

As bancadas foram reorganizadas e os fluxos físicos passaram a seguir um padrão operacional definido.

A mudança reduziu deslocamentos desnecessários, melhorou o controle do fluxo e fortaleceu a segurança operacional.

Padronização: redução de 20% a 60% no tempo de execução

A equipe desenvolveu Procedimentos Operacionais Padrão para todas as atividades críticas da oficina.

O trabalho foi construído a partir de acompanhamento detalhado em campo, estudo de tempos e aplicação de ECRS, metodologia utilizada para eliminar, combinar, rearranjar e simplificar atividades.

A padronização criou uma base comum de execução para as atividades críticas da oficina, reduzindo a dependência do conhecimento individual de cada mecânico.

Com SOP, ECRS e estudo de tempos, a equipe passou a executar as tarefas com mais uniformidade, menos variação entre mecânicos e maior clareza sobre o padrão esperado em cada etapa. 

Os resultados dessa frente aparecem de forma consolidada na evolução geral do sistema, apresentada a seguir.

Gestão estruturada e planejamento: da reação à previsibilidade

Outro eixo central da transformação foi a estruturação do planejamento operacional.

A oficina passou a operar com programação semanal estruturada, critérios claros de priorização, preparação antecipada de materiais, documentos e ferramentas, além de alinhamento constante entre PCM e execução.

Na prática, a operação reduziu a distância entre o planejamento e a execução no chão de fábrica.

A organização do planejamento se tornou um dos pilares para reduzir variabilidade operacional e aumentar previsibilidade.

Gestão da rotina: a operação passou a ser gerenciada

A principal transformação do projeto aconteceu na forma de gerenciar a rotina.

A oficina implantou o sistema GEAR, estrutura de gestão da rotina baseada em rituais claros, acompanhamento visual e definição objetiva de responsabilidades. 

O modelo passou a operar com:

Ritual diário

Alinhamento de prioridades, status dos equipamentos e desvios do dia anterior.

Ritual semanal

Revisão da programação, análise de aderência do plano e ajuste de capacidade.

Ritual mensal

Avaliação de indicadores, tendências e ações estruturais de melhoria.

A operação também passou a contar com:

  • Indicadores conectados à tomada de decisão;
  • Responsáveis definidos;
  • Follow up estruturado;
  • Checklists operacionais;
  • Gestão visual da rotina.

Com isso, a oficina deixou de atuar apenas reagindo aos problemas e passou a gerenciar o sistema de forma estruturada.

Resultados da gestão estruturada: o sistema entregando performance 

Os ganhos obtidos não vieram de esforço adicional da equipe, mas da construção de um sistema estável, com fluxo definido e gestão estruturada.

Entre os principais resultados alcançados estavam:

  • Redução de 20% a 60% no tempo das atividades padronizadas;
  • Redução de retrabalho;
  • Eliminação de perdas por espera entre etapas;
  • Maior aderência ao planejamento semanal;
  • Aumento da previsibilidade operacional;
  • Melhoria da organização e controle da oficina.

Gestão estruturada e Lean como base da sustentação operacional 

O projeto reforçou um ponto importante para gestores industriais: Lean não funciona como um conjunto isolado de ferramentas.

Ao longo da transformação, a operação aplicou princípios ligados diretamente ao Sistema Toyota de Produção, incluindo:

  • Genchi Genbutsu;
  • Heijunka;
  • Gestão visual;
  • Fluxo contínuo;
  • Trabalho padronizado;
  • Kaizen;
  • Tomada de decisão baseada em fatos;
  • Desenvolvimento de pessoas.

O objetivo não era gerar ganhos pontuais. O foco permaneceu na construção de estabilidade operacional e sustentação dos resultados.

Gestão estruturada na indústria: o que esse case mostra para gestores industriais

O case apresentado no 36º Fórum Nacional de Lean evidencia uma realidade comum em operações industriais complexas: esforço sem estrutura não sustenta resultado.

Na maioria dos casos, o problema não está na dedicação das equipes. A dificuldade aparece quando a operação não possui fluxo claro, gestão estruturada, critérios de priorização e rotina gerencial consistente.

Quando planejamento, gestão visual, padronização e acompanhamento passam a funcionar como sistema integrado, a operação reduz variabilidade e aumenta previsibilidade.

Esse movimento permite que a liderança deixe de atuar apenas apagando incêndios e passe a direcionar a evolução operacional de forma sustentável.

Como reforçado no próprio case apresentado no 36º Fórum Nacional de Lean: Lean não é ferramenta. Lean é gestão

Make Gestão no 36º Fórum Nacional de Lean

Durante o 36º Fórum Nacional de Lean, Marcelo Martins, CEO da Make Gestão, e Gustavo Caçador, CTO da empresa, também apresentaram a palestra: “Reduzindo a Curva de Aprendizado em Ambientes de Alto Turnover com TPS”.

A apresentação abordou práticas como TWI, gestão visual, gestão diária e trabalho padronizado como sistema de aprendizagem organizacional.

A participação reforçou a atuação da Make Gestão em projetos de gestão estruturada, transformação operacional e sustentação de resultados em ambientes industriais complexos.

Se a sua operação também enfrenta baixa previsibilidade, retrabalho, excesso de urgências e dificuldade para sustentar resultados, talvez o problema não esteja no esforço das equipes, mas na falta de uma gestão estruturada capaz de conectar planejamento, rotina e execução.

A Make Gestão atua lado a lado com a operação para transformar processos, estabilizar rotinas e construir resultados sustentáveis no chão de fábrica.

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